Sumário
Notícia sobre os festejos realizados em Campo Maior, na festa de São João Baptista (1 a 17 de Junho de 1749)
Ano
1749
Comentário

Reproduz-se o exemplar do Arquivo Nacional da Torre do Tombo (Real Mesa Censória, caixa 465).

Impresso

Suplemento à Gazeta de Lisboa, nº 28, 17 de Julho de 1749. Oficina de Luís José Correia Lemos

Suplemento à Gazeta de Lisboa.

Número 28

Com privilégio real

Quinta-feira, 17 de Julho de 1749

  


 

Portugal

Campo maior, 4 de Julho

 

A protecção que os moradores desta praça tem recebido em várias ocasiões do glorioso São João Baptista, seu padroeiro, faz cada dia maior a devoção [...].


[...]

Desde o primeiro dia de Junho, em que se levantou o mastro até o de 17 do próprio mês, cuidaram os mordomos em divertir o povo com váris espectáculos de máscaras extravagantes e de diversos inventos. Entretanto se armaram palanques na praça de touros, se dispuseram cavalhadas, se idearam figuras simbólicas, se prepararam carros de triunfo [...].

A 17 começaram os divertimentos mais sérios, com o que é mais próprio de uma praça. Formou-se a sua guarnição em dois batalhões, por ordem do seu coronel e brigadeiro D. Filipe de Alarcão Mascarenhas, governador da mesma praça, que já foi capitão-general da ilha da Madeira. Comandava o primeiro batalhão o Sargento-mor António José Pereira; o segundo, o capitão mandante Manuel Pereira de Matos. Combateram-se com fogo tão vivo que se não fora a ciência militar dos oficiais e a boa disciplina dos soldados, podia ser espectáculo horroroso o mesmo que havia principiado festivo. Acrescentou-se a esta fingida batalha o ataque de um forte, que defendeu valorosamente Gabriel Soares Nogueira da Rocha, ajudante da praça, que sem dúvida o não haveria rendido pelo seu Brigadeiro. Entrou nele, por novo governador, José António Serrão, cavaleiro da Ordem de Cristo e ajudante do segundo batalhão, que foi o que o rendeu, levando consigo nova guarnição com outra bandeira.

 


 

A 18 houve combate de touros a pé, mas a ferocidade deles fez baldada a destreza dos toureiros.

A 19 se fizeram, na mesma praça, escaramuça e cavalhadas de dois fios, de que foram guias André Barradas, capitão de cavalos reformado da companhia do Coronel, e Diogo Manuel Tudella de Castilho, fidalgo da Casa Real e Tenente de infantaria. Concorrendo com as suas instruções para a boa ordem, que deviam observar, o mesmo Brigadeiro Governador, perito nesta arte. Correram-se lanças e adargas com grande destreza e todos os cavalos estavam ricamente ajaezados.

A 20 houve combate de touros, mas a fereza destes animais foi tão respeitada dos toureiros, que poucos se animaram a ganhar sortes, sem embargo da sua muita ligeireza.

[...]

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