- Sumário
- Informação sobre a ordem de suspensão dada aos estrangeiros que trabalhavam com os Bonecos no Teatro da Rua dos Condes (20 de Dezembro de 1782)
- Ano
- 1782
- Biblioteca/Arquivo
- Arquivo Nacional da Torre do Tombo
- Cota
- Intendência Geral da Polícia, Livro I, ff. 494-495
1782
Dezembro, 20
Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Marquês de Marialva,
Dando-me parte o Ministro inspector do Teatro da Rua dos Condes que os estrangeiros que nele trabalhavam com os Bonecos, representando algumas peças cómicas, sem forma, a que denominam representar de improviso, envolviam algumas acções obscenas, e ao mesmo tempo repetiam algumas vozes contra a modéstia, e ofensivas aos ouvidos das gentes, principalmente do sexo feminino, chegando também a repetirem alguns pedaços de comédias, como eram arte da feitiçaria, animando-as com palavras em que invocavam o demónio, instrução perigosa para se consentir em semelhantes lugares, os mandei advertir, e como continuaram do mesmo modo, chegando o mesmo povo a dar-lhes repetidas pateadas, para evitar que chegasse a maior excesso, os mandei notificar para suspenderem as ditas representações, pois o aviso que Vossa Excelência me expediu era somente para as consentir, e não até segunda ordem, de donde inferi que a mente de Sua Majestade era só para serem conservados enquanto não praticassem o que acabo de referir, pois, aliás, era perverter o fim com que se permitem as representações, que é o de repreender o vício e ensinar a moral, deleitando.
Não me falou em coisa alguma João Gomes Varela, nem Paulino José da Silva, nem me requereram a este respeito, e só procedi por efeito das obrigações do cargo que Sua Majestade me confiou, e na inteligência de que o aviso de Vossa Excelência, como não era até segunda ordem, me ficava permitido o pôr em prática a minha comissão, em evitar tudo o que fosse contra os bons costumes, e que não ofendesse com acções pecaminosas a modéstia das gentes, que concorriam a assistir a aquele divertimento.
À vista de tudo, Sua Majestade determinará o que lhe parecer mais acertado e justo.
Lisboa
494
1782 Dezb.º 20 Dando-me parte o Mi- Ill.mo e Ex.mo
nistro Inspector do Theatro da Rua S.r Marquez
dos Condes, que os Estrangeiros, q’ de Marialva
nelle trabalhavão com os Bonecos,
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volvião algumas acções obscenas,
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gando tão bem a repetirem algus
pedaços de Comedias, como erão Ar=
te da feitiçaria, animando-as com
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monio, instrucção perigoza, para se
consentir em similhantes lugares, os
mandei advertir, e como continuarão
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pois o Avizo, que V. Ex.ª me expe=
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e não ate segunda ordem, de donde
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era só para serem conservados, en
quanto não practicassem, o que
acabo de referir; pois alias era preverter
o fim, com que se permittem as Repreze-
taçoens, que hé o de reprehender o vicio,
e ensinar a Moral, deleitando.
Não me fallou em couza
alguma João Gomes Varella, nem Pau=
lino Joze da Silva, nem me requererão
a este respeito; e só procedi por effeito
das obrigaçoens do cargo,que S. Mag.de
me confiou, e na intelligencia de que
o Avizo de V. Exª, como não era
até segunda ordem, me ficava per=
mettido o pôr em practica a minha
commissão, em evitar tudo o que
fosse contra os bons costumes, e que
não offendesse com acçoens pecami=
nozas a modestia das gentes, que com=
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timento.
A vista de tudo S. Mag.de
Determinará o que lhe parecer
mais acertado, e justo. Lx.ª