- Sumário
- Informação sobre a declamação de um soneto (4 de Fevereiro de 1818)
- Ano
- 1818
- Biblioteca/Arquivo
- Arquivo Nacional da Torre do Tombo
- Cota
- Intendência Geral da Polícia, Livro XVII, f. 194
- Comentário
- Ver informação de 20 de Março
Fevereiro, 4
Reino
Senhor,
Levo à augusta presença de Vossa Majestade as cópias inclusas números 1 e 2 dos ofícios que me dirigiu o encarregado da Comissão da Polícia, na cidade do Porto, em datas de 29 e 30 de Janeiro último, referindo o que aconteceu no teatro daquela cidade, em a noite de 26, por ocasião da actriz Irene Schione recitar um soneto, composto com a indecentíssima combinação de obscenidade de que dele se manifesta, segundo a leitura horizontal das primeiras letras dos versos de que se compõe, o que, ressentindo juntamente o público daquela mesma cidade, deu lugar às ocorrências desagradáveis que se seguiram à sua publicação, e fizeram necessárias as providências que o dito encarregado pôs em prática, como tudo muito bem se evidencia dos referidos ofícios e das cópias que os acompanham.
E posto que no correio de hoje tenho respondido àquele Ministro, pelo ofício da cópia também junta, número 3, que continue eficazmente na diligência da fazer prender o autor de tão depravada produção, como considero ser revestido este facto de circunstâncias muito agravantes, e bem dignas de severo castigo pelos excessos a que podia dar motivo, levo tudo ao conhecimento de Vossa Majestade para resolver o que tiver por mais conveniente ao seu real serviço, estando quanto a mim persuadido de que os procedimentos que pondera o referido Magistrado, com cuja opinião me conformo inteiramente, pelas razões em que se funda, são dignos de aprovação, e servirão a conter a indiscrição de qualquer outro temerário que intente arrojar-se a semelhante excesso. Lisboa.
Fevereiro Sr.
Fevr.º 4 Levo à Augusta Prezença de V. Mag.e as Copias
incluzas N.os 1,, e 2,, dos Officios que me dirigiu o
Encarregado da Comissão da Policia na Cidade
Reyno do Porto em datas de 29 e 30 de Janeiro ultimo, re-
ferindo o que aconteceo no Theatro daquella Cida-
de em a noite de 26 por ocazião da Actris Irene
Schione recitar hum Soneto, composto com a in-
decentissima combinação de obscenidade de que
delle se manifesta, segundo a leitura orizontal
das primeiras letras dos versos de que se compoem,
o que resentindo juntamente o Publico daquella
mesma Cidade deo lugar às occorrencias desagra-
daveis que se seguirão à sua publicação, e fizerão
necessarias as Providencias, que o dito Encarrega-
do pôz em practica, como tudo muito bem se evi-
denceia dos refferidos Officios, e das Copias que os
acompanhão.
E posto que no Correio de hoje tenho
respondido àquelle Ministro, pelo Officio da Copia
tão bem junta N.º 3, que continue efficasmente na-
delligencia da fazer prender o Author de tão depra-
vada producção, como considero ser revestido
este facto de circunstancias muito agravan-
tes, e bem dignas de severo castigo pelos exces-
sos a que podia dar motivo, levo tudo ao
Conhecimento de V. Mag.e para Resolver o-
que tiver por mais conveniente ao Seu Re-
al Serviço, estando quanto a mim persu-
adido de que os procedimentos que pondera
o refferido Magistrado, com cuja opinião me-
conformo inteiramente pelas razoens em que
se funda, são dignos de aprovação, e servirão
a conter a indiscrição de qualquer outro te-
merario que intente arrojar se a semelhante
excesso.
Lx.ª