- Sumário
- Informação sobre a candidatura de três pretendentes à direcção do Teatro de S. Carlos (12 de Dezembro de 1821)
- Ano
- 1821
- Biblioteca/Arquivo
- Arquivo Nacional da Torre do Tombo
- Cota
- Intendência Geral da Polícia, Livro XX, ff. 165-165v
Dito, 12
Para o Ilustríssimo e Excelentíssimo Ministro dos Negócios do Reino
Três são tão somente os pretendentes que se apresentaram para a empresa do Teatro de São Carlos, no futuro ano de 1822, a começar desde a Páscoa, e inclusos, tenho a honra de levar à presença de Vossa Excelência as condições com que cada um deles a quer tomar. Todos pedem subsídios, e sem eles é impossível manter o Teatro, segundo se me informa, assim como é certo que nas outras Capitais da Europa se concedem para conservação dum espectáculo necessário à distracção e à direcção do espírito público. Todos, porém, excluem o meio imoral das sortes que no corrente ano se lhe concedeu, e que para sempre deve ser prescrito. Não se combinou sociedade de portugueses que quisesse a empresa, como Vossa Excelência desejava, e por isso convém, d’entre
os três, António Marrare, António Simão Mayer, e Luís Chiari, escolher aquele que melhor possa satisfazer o público, para devidamente se preencher o justo fim a que o Governo se propõe, e sobre cuja escolha Vossa Excelência se dignará deliberar.
Entendo que muito conviria ao fim principal dos Teatros que, confiada à Polícia de segurança às competentes auhoridades, segundo a lei, houvesse mais uma comissão de patriotas inteligentes que dirigissem os trabalhos cénicos, a escolha das peças, a distribuição das partes, e tudo quanto pudesse concorrer ao preenchimento do grande e final objecto dos espectáculos, isto é, instruir e deleitar. Deus guarde.
P.ª o Ill.mo e Ex.mo
D.º 12 Tres são tão somente os pertendentes que Min.º dos N. do
se aprezentarão para a Empreza do The- R.no
atro de S. Carlos no futuro anno de 1822,
a começar desde a Pascoa, e incluzos te-
nho a honra de levar á Prezença de
V. Ex.ª as condiçoens com que cada hum
delles a quer tomar. Todos pedem sub-
sidios, e sem elles he impossivel manter
o Theatro, segundo se me informa, as-
sim como he certo, que nas outras Capi-
taes da Europa se concedem para con-
servação d’hum Espectaculo necessario à
distracção, e à direcção do espirito publi-
co: todos porem excluem o meio imo-
ral das sortes, que no corrente anno se
lhe concedeo, e que para sempre deve
ser proscripto. Não se combinou
sociedade de Portuguezes, que qui=
zesse a Empreza, como V. Ex.ª deze-
java, e por isso convem d’entre
os
os tres Antonio Marrare, Antonio Si-
mão Mayer, e Luis Chiari, escolher
aquelle que melhor possa satisfazer
o Publico para devidamente se pre=
hencher o justo fim a que o Governo
se propoem, e sobre cuja escolha V. Ex.ª
se dignará delliberar.
Entendo que muito conviria
ao fim principal dos Theatros, que con-
fiada a Policia de segurança às com-
petentes authoridades, segundo a
Ley, houvesse mais huma commis-
são de Patriotas intelligentes, que di-
rigissem os trabalhos scenicos, a esco=
lha das Peças, a destribuição das Par-
tes, e tudo quanto podesse concorrer
ao prehenchimento do grande, e fi-
nal objecto dos Espectaculos, isto he,
instruir, e deleitar. = Deus Guarde.//