Sumário
Folheto do drama para música Didone Abandonada (1741)
Ano
1741
Localização

Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (Misc.586)

Impresso
Lisboa, oficina Joaquiniana da Música de D. Bernardo Fernandez Gayo, 1741

 

Didone Abandonada

Drama para música

Do Senhor Pedro Metastásio: para se representar em Lisboa no Teatro Novo da Rua dos Condes.

 

No ano de 1741

Dedicado à Nobreza de Portugal

 

Lisboa Ocident.

Na Oficina Joaquiniana da Música de D. Bernardo Fernandez Gayo.

Com as licenças necessárias.

Ano de 1741

 


 

Argumento

 

Didone Elisa, viúva de Siqueu, depois de lhe ser morto o marido por Pigmalião seu irmão, rei de Tiro, fugiu com imensas riquezas para África, adonde, comprado suficiente terreno, edificou Cartagenes. Aí foi pedida em mulher por muitos, e particularmente por Jarba, rei dos mouros, e sempre recusou, dizendo querer conservar a fé às cinzas do extinto marido. Em tanto Eneas, troiano, tendo sido destruída a sua Pátria pelos gregos, no querer ir a Itália, foi levado numa tempestade às praias de África, e recebido e socorrido por Didone, a qual ardentemente se namorou dele. Mas quanto ele, complacendo-se do seu afecto, se detinha em Cartagenes, lhe foi pelos deuses ordenado que deixasse aquela terra, e que prosseguisse o seu caminho para Itália, adonde lhe prometiam que se devia tornar a levantar uma nova Tróia. Ele partiu, e Didone, desesperadamente, depois de ter tentado entretê-lo se matou. Tudo o referido se há de Virgílio, o qual, com um feliz anacronismo, une o tempo da fundação de Cartagenes, e os erros de Eneas; de Ovídio, no 2º livro dos Faustos se colige que Jarba se senhoreasse de Cartagenes, depois da morte de Didone, e que Anna, sua irmã (a quem chamaremos Selene), estivesse ocultamente também enamorada de Eneas.

 


 

Para comodidade da representação, se finge que Jarba, curioso de ver Didone, se introduza em Cartagenes, como embaixador de si mesmo, com o nome de Arbace.

 

A cena se finge em Cartagenes

 

Mutações de cena

 

Acto I

Lugar magnífica destinado para as públicas audiências, com trono de um lado. Vista em perspectiva da cidade de Cartagenes, que está edificando-se.

Sala do Palácio.

Templo de Neptuno, com simulacro do mesmo.

 

Acto II

Apartamentos reais, com bofete.

Átrio.

Gabinete, com cadeiras.

 

Acto III

Porto de mar, com navios, para embarque de Eneas.

Arvorada entre a cidade, e o porto.

Palácio , com vista da cidade de Cartagenes em perspectiva, que depois arde.

 


 

Pessoas

Didone Elisa, rainha de Cartagenes, amante de Eneas, a senhora Francisca Poli.

 

Eneas, o senhor Caetano Valetti.

 

Jarba, rei dos mouros com o nome de Arbace, o senhor Aníbal Pio Fabri.

 

Selene, irmã de Didone Elisa, amante oculta de Eneas, a senhora Agáda Lamparelli.

 

Araspe, confidente de jarba, e amante de Selene, o senhor José Schiavoni.

 

Osmida, confidente de Didone, a senhora Joana Franchi.

 

A música é do senhor Reinaldo de Cápua, Mestre de Capella Napolitano.

 

Arquitecto, e pintor de cenas, é o senhor Salvador Coloneli.

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