Sumário
Folheto do drama para música Demofonte (1737)
Ano
1737
Localização

Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (Misc. 552); Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra (2-23-3-18)

Comentário
Edição bilingue da obra de Metastásio

 Demofonte 

 

Drama para música, para se representar em Lisboa, na Sala da Academia na Praça da Trindade. Ano 1737

 

Dedicado à fidalguia de Portugal

 

 

Lisboa ocidental, na oficina de António Isidoro da Fonseca, impressor do Duque Estribeiro-Mor, ano 1737

 

Com todas as licenças necessárias.

 

 

 


 

 

Argumento em português

 

 

Reinando Demofonte na Chersonesa de Trácia, consultou o oráculo de Apolo para saber quando teria fim o cruel rito (já do mesmo oráculo prescrito) de sacrificar cada ano uma virgem diante do seu simulacro, e teve a seguinte resposta.

 

Convosco do céu se aplacará a ira,

Quando conhecido de si mesmo

Seja o inocente usurpador de um reino.

 

Não pôde o rei compreender o escuro sentido, e esperando que o tempo lho declarasse, se dispôs a satisfazer em tanto o anual sacrifício, mandando tirar da urna por sorte o nome da infeliz virgem, que havia de ser a vítima. Matusio, um grande do reino, pretendeu que Dircea, de quem cuidava ser pai, não se expusesse à sorte com as outras, produzindo em seu abono o exemplo do mesmo rei, que por não expor as próprias filhas, as tinha fora de Trácia. Irritado Demofonte da temeridade de Matufio, ordena barbaramente, que sem se atender à sorte, fosse levada ao sacrifício a inocente Dircea. Era esta já esposa de Timante, tido por filho e herdeiro de Demofonte, mas ocultavam com grande recato o ambos o seu perigoso matrimónio com temor de uma antiga lei daquele reino, que condenava à morte qualquer vassala, que se desposasse com o real sucessor.

Demofonte , a quem totalmente era incógnito esse oculto himeneu de Dircea com Timante, tinha-lhe destinado por esposa a princesa Creufa, emprenhando solenemente a sua palavra com el rei de Frígia, seu pai, e em execução do ajustado , mandou a Quirinto seu segundo filho, para a acompanhar, e conduzir a esposa em Trácia, chamando no mesmo tempo do exército a Timante, que, ignorante de tudo, veio com brevidade à corte. Chegando e conhecendo o seu perigoso estado, e o da sua Dircea, quis escusar-se e defendê-la, mas as mesmas escusas, rogos, desassossegos e violências, a que se arrojou, descobriram ao sagaz rei o seu oculto matrimónio. Timante, como culpado na desobediência, rejeitando desposar-se com Creufa, e tendo-se oposto com armas aos reais decretos; Dircea, como transgressora da lei do reino em casar-se

 

 


 

 

com Timante, são condenados à morte. No tempo de se executar a inumana sentença, sente o feroz Demofonte os movimentos da paternal piedade, que avivados com a intercessão de muitos, obtiveram o perdão. Foi avisado Timante desta feliz mudança, mas entre o alvoroço, e grande alegria é surpreendido por quem lhe descobre com indubitável prova ser Dircea filha de Domofonte. Eis aqui o miserável, apenas restaurado da adversidade, e opressão passada, se precipita mais que nunca em um abismo de confusão, e horror, considerando-se marido de sua própria irmã. Parecia nesse caso inevitável a desesperação, quando por meios não esperados, informando-se melhor do seu nascimento, acha não ser ele o sucessor da coroa, nem filho de Demofonte, mas sim de Matusio. Tudo muda de aspecto. Livre Timante do concebido horror, abraça a sua consorte. Achando Demofonte em Quirinto o seu verdadeiro sucessor, satisfaz à sua palavra, destinando-o esposo da princesa Creufa. E conhecendo em Timante ser ele o inocente usurpador, de quem o oráculo escuramente falava, fica livre o reino da obrigação funesta e anual sacrifício.

Hygin, ex Philarch. Lib.2.

 

 

O lugar de representação  é o paço de Demofonte na Chersoneso de Trácia.

 

A poesia é do senhor abade Pedro Metastásio, poeta de Sua Majestade Cesária e Católica.

A música é do senhor Caetano Maria Schiassi, de Bolonha, músico de Sua Alteza Sereníssima, o senhor Príncipe Darmastat, e académico filarmónico.

A pintura da cena é invenção e desenho do arquitecto Roberto Clerici, pintor do Sereníssimo D. Antonio Farnese, duque de Parma e Placencia, já defunto.

As palavras Deus, Nume, Fado, etc., são expressões poéticas e não de quem o escreveu, que protesta ser verdadeiro católico.

 

 


 

 

Personagens

 

Demofonte, rei da Trácia, o senhor Félix Checcacci, de Pistoja

Diercea, mulher oculta de Timante, a senhora Angela Adtiana Paghetti, de Bolonha

Creusa, princesa de Frígia, destinada esposa de Timante, a senhora Ana Paghetti, de Bolonha

Timante, havido por príncipe herdeiro de Demofonte, o senhor Caetano Valeta, de Milão, músico da Câmara de Sua Alteza Real, o Grâo-Duque de Toscana.

Querinto, filho de Demofonte, amante de Creufa, o senhor, Domingos José Galletti

Matusio, havido por pai de Dircea, grande do reino, o senhor Alexandre Veroni

Adrasto, capitão das guardas reais, confidente de el rei, o senhor Carlos Passerini 

 

Acto primeiro

Jardim.

Porto de mar alegremente adornado, pela vinda da princesa de Frígia, com vista de muitas nau

 

 

Acto segundo

Gabinete.

Pórticos.

Átrio do Templo de Apolo, com vista de uma sua parte anterior, aonde se sobe por uma magnífica, mas pequena, escada.

 

Acto terceiro

Cárcere.

Lugar magnífico festivamente ornado para as bodas de Creusa.

 

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