Sumário
Folheto do drama para música Artaxerxes
Ano
1737
Localização

Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra (2-23-3-18); Biblioteca Nacional de Portugal (Res-975-10-p)

Artaxerxes

Drama para música do senhor Abade Pedro Metastásio,

 poeta de Sua Majestade Cesária Católica.

 

Para se representar em Lisboa, na sala da Academia na Praça da Trindade.

 

Ano de 1737.

 

Dedicado á Fidalguia de Portugal.

 

 

Lisboa Ocidental, na oficina de António Isidoro da Fonseca.

Ano de 1737.

Com todas as licenças necessárias.

 

 


 

Argumento

 

Artabano, Capitão das Guardas Reais de Xerxes, vendo que cada dia se diminuia o poder de seu rei depois das derrotas, que lhe derão os Gregos, intentou sacrificar a sua ambição com a vida de Xerxes toda a familia real, e fazer-se senhor do reino da Pérsia; e valendo-se para este fim do cómodo, que lhe dava a familiaridade e amizade do seu Senhor, entrou de noite no quarto de Xerxes e o matou.

Esta morte incitou de modo aos príncipes  reais, filhos de Xerxes, um contra o outro, que Artaxerxes, um dos sobreditos filhos, fez matar Dario, seu irmão, imaginando que este matara a seu pai por conselho de Artabano. Só lhe faltava para satisfação do seu desígnio a morte de Artaxexes, a qual disposta por ele e a diferida por vários acidentes (que dão ao presente drama os ornamentos poéticos) finalmente se não pode executar, descobrindo-se a traição, e segurando-se Artaxerxes, o qual descobrimento e segurança são principal acção do drama.

 

 

 


 

Mutações das Cenas

Jardim interior no Palácio Real: Noite com lua.

Átrio.

Palácio.

Grande sala do Conselho Real com trono, e cadeiras para os grandes do reino, bufete e cadeira.

Cárcere.

Gabinetes no Quarto de Mandane.

Lugar magnífico destinado para a coroação de Artaxerxes: trono com ceptro e coroa.

 

 

Adverte-se, que a respeito do tempo se deixão cantar alguma árias, que se notão com este sinal.*

 

 

 


 

Pessoas:

Artaxerxes príncipe, e depois rei da Pérsia, amigo de Arbaces e amante de Semira: o senhor José Galletti, de Cortona.

 

Mandane irmã de Artaxerxes e amante de Arbaces: a senhora Angela Adriana Paghetti, de Bolonha.

 

Artabanco, Capitão da Guarda Real, pai de Arbaces e Semira: o senhor Felix Checcacci, de Pistoya.

 

Arbaces, amigo de Artaxerxes e amante de Mandane: o senhor Caetano Valetta, de Milão.

 

Semira, irmã de Arbaces e amantes de Artaxerxes: a senhora Anna Paghetti, de Bolonha.

 

Megabife, General das Armas e confidente de Artabano: o senhor Alexandre Veroni, de Urbino.

 

A música é do Senhor Caetano Maria Schiassi, de Bolonha, Académico Filarmónico.

 

A pintura de cena é invenção e desenho do arquitecto Roberto Clerici, italiano, pintor do Serenissímo Senhor D. António Farnese, Duque de Parma e Placência, já defunto.

 

As palavras Deus, Nume, Fado, são expressões poéticas e não de quem o escreveu, que protesta ser verdadeito Católico.

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