Sumário
Folheto do drama em música Farnaces (1735)
Ano
1735
Localização
Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra (2-23-3-18); Biblioteca de Arte de Fundação Calouste Gulbenkian (TC 600); Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (Misc. 546)
Impresso
Bologna, Giuseppe Marchetti Longhi, 1735
 

Farnaces

Drama em música para se representar em Lisboa na Sala da Academia na Praça da Trindade, no ano de 1735

Dedicado à nobreza de Portugal

 

 

Em Bologna

Por José Longhi

1735

 

Com todas as licenças necessárias

 


 

Personages

Farnaces Rei de Ponto.

O senhor Caetano Valetta de Milão.

 

Tamire Rainha sua esposa.

A senhora Elena Paghetti de Bolonha.

 

Berenice Rainha de Capadocia mãe de Tamire.

A senhora  Angela Adriana Paghetti de Bolonha

 

Selinda irmã de Farnaces.

A senhora Anna Paghetti de Bolonha.

 

Pompeu Proconsul romano da Ásia.

O Senhor Félix Checcacci de Pistoia.

 

Gilade Príncepe de sangue real, e capitão de Berenice.

O senhor Domingos José Galletti de Cortona.

 

Aquilio Prefeito de Legiões Romanas.

O senhor Alexandre Veroni Urbino.

 

Um menino filho de Tamire, que não fala.

 

A pintura da sala, e das cenas é de invenção, e desenho do famoso arquitecto o senhor Roberto Clerici Italiano, pintor do Sereníssimo senhor D. António Farnese duque de Parma, e Plasência já defunto.

 


 

Mudanças de Cena

 

Acto Primeiro.

 

Ribeira de Euxino: mar ao longe onde se vê a armada de berenice.

Atrio do Palácio Real.

Planície, na qual se vê a cidade cercada pelo exército de Pompeu.

Parco Real, onde estão várias sepulturas, e entre as quais há uma destinada para o Rei do ponto.

 

Acto Segundo.

Outras vista do Parco real com as sepulturas.

Salas Reais.

 

Acto terceiro.

Praça de Eraclea com um trono.

Cidade, e vista do Palácio Real ao longe.

 


 

Adverte-se que o Pompeu na segunda cena no acto primeiro, antes de partir canta a ária, que está no fim deste livro, e logo da ária Dolente l’ vsignolo, que diz Tamiri no Atto Terzo, se canta a que está no fim.

 


 

Nobilíssimos Senhores.

 

O pensamento de dar a luz o presente drama para se representar nesta sal, e o desejo de o dedicar a vossas excelências, e a vossas senhorias, nasceram juntamente no meu ânimo, como filhos de um mesmo parto.

Não foi isto só para me conformar com o antigo e universal costume de levar cada livro no seu fronstispício o nome de algum mecenas, mas foi meu especial, e julgo gosto: porque assim como nos tempos passados, como escreve Quintiliano, estava a música em tal estimação, que quem fosse nela  inteligente, é destro, bastava para se ter por sábio, também me vou persuadindo, que em dedicar este pequeno livrinho a vossas Excelências, e a vossas Senhorias, como a pessoas tão inclinadas a favorecer as Academias de Música não se deve reputar por temerário, e affectado o meu pensamento. Não entendo também, que vossas Excelências, e vossas Senhorias não aceitemde boa vontade a protecção deste honesto divertimento, porque assim como conhece o seu princípio na sua generosidade, e na sua liberalidade, também da sua cortez, e benigna assistência espera experimentar um feliz, e plausível progresso, em atenção do que terei a estimadíssima fortuna de lograr muitas vezes a grande honra de me assignar de VV. EE. e de VV. SS.

 

Humilíssimo, devotissimo e obsequentíssimo servidor.

 

Alexandre Maria Paghetti.

 


 

Argumento

 

Farnaces foi um dos filhos de Mitridrates Rei de Ponto, que secedeu como maior em idade nos reinos de seu país, depois que as armas romanas obrigaram aquele príncipe, já desbaratado, e destruido a matar-se com a sua própria espada.

Mitidrates, vivendo, sempre procurou traições contra Berenice Rainha de Capadócia por inveja de lhe tomar para si também aquele Império, e com a ocasião desta princesa ficar viúva de seu marido Ariarate, não somente lhe mandou matar um filho, que deste tinha havido, mas lhe impediu e lhe embaraçou o segundo casamento com Nicomedes Rei de Bitinia namorado dela.

Estando as coisas nestes termos, desejando Farnaces a única filha da dita Rainha, e não a podendo conseguir pelo ódio implacável, que Berenice sua mãe tinha a Mitridates, lha roubou, e se desposou com ela contra vontade da mãe, a qual em vingança de tais afrontas, se uniu com as Armas  romanas contra Farnaces, e contra a mesma filha, que tinha consentido casar-se com ele procurando com toda a força a sua total ruína.

 

Protestação do Autor.

 

As palavras Fado, Divindades, Adorar e outras, que se vêem espalhadas na composição, não tem coisa alguma comum com o sentimento de seu autor, que professa ser católico.

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