- Sumário
- Edição da Tradução do Mafoma (1785)
- Ano
- 1785
- Localização
- Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (Misc. 585); Sala Jorge de Faria (JF 10-6-62)
- Comentário
O manuscrito que esteve na origem desta edição obteve despacho para impressão a 25 de Fevereiro de 1785. No entanto, para além desse, devem ser considerados mais três testemunhos manuscritos: um de 1786 (COD. 1381//5), outro de 1795 (COD. 1388//2 = F.R. 17), ambos na Biblioteca Nacional de Portugal, e mais um sem ano na Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian (TC 765).
Na verdade, a tragédia Mafoma ou O fanatismo, de Voltaire, foi alvo de diferentes traduções e de vários processos na Real Mesa Censória, como é reforçado pelos seguintes dados adicionais, e até pela própria variação a que o título foi sujeito: em 1770, e posteriormente, também em 1783 e 1784, há registo do despacho para o censor, com diferentes resultados: suprimida no primeiro e aprovada nos restantes dois; de 1776, existe um requerimento para licença de representação, mais um registo do despacho para o censor, um parecer favorável e uma deliberação, respeitantes a uma tradução de José Basílio da Gama; em 1779, uma tradução da tragédia integrou o espectáculo em benefício da actriz Teresa Joaquina, conforme notícia manuscrita e impressa do mesmo.
- Impresso
- Lisboa, oficina da Academia Real das Ciências, 1785
Tradução do Mafoma de Mr. de Voltaire
Lisboa , na oficina da Academia Real das Ciências, ano 1785
Com licença da Real Mesa Censória
Vende-se na loja de Borel, Borel e Companhia, quase defronte da Igreja de Nossa Senhora dos Mártires
Prólogo do tradutor
Fiz esta tradução há dez ou onze anos, muito à pressa, para se representar em um teatro particular, e com firme resolução de nunca a divulgar. Mas houve quem alcançou (não sei por que meio ou arte) uma cópia dos primeiros dois actos, espúria e imperfeitíssima, e ajuntando-lhe os três últimos (traduzidos não sei por quem) foi vender aos editores uma miserável tradução do pobre Mahomet! Um Mahomet travesti!
O receio de que algumas pessoas, reconhecendo em semelhante obra muitos versos meus, ma atribuíssem toda me fez ceder ao rogo dos editores e lhes dei de presente esta minha tradução. Não me resta tempo suficiente para a examinar de novo, retocar e polir. Quem a achar má, considere que só assim o posso livrar de outra pior.
Pessoas:
Mafoma
Zopiro, xeque ou xarife de Meca
Osmar, tenente de Mafoma
Seide
Palmira, escravos de Mafoma
Fanor, senador de Meca
Cidadãos
Muçulmanos
A cena é em Meca