Sumário
Colecção de óperas segundo o gosto e costume português, tomo I (Viriato na Lusitânia; Faláris em Atenas; Cassiopea na Etiópia; Atlante na Mauritânia; Sacrifício de Efigénia)
Ano
1761
Localização
Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (misc. 576)
Impresso
Na oficina de Inácio Nogueira Xisto, Lisboa, 1761

Óperas segundo o gosto e costume português que se intitulam:

 

Viriato na Lusitânia ;

Faláris em Atenas ;

Cassiopea na Etiópia ;

Atlante na Mauritânia ;

Sacrifício de Efigénia

 

Compostas em o nosso idioma por Joaquim José de Sousa Rocha e Saldanha.

Oferecidas ao senhor José Francisco da Cruz, bis-provedor da Junta do Comércio, provedor da Companhia Geral do Grão-Pará e Maranhão, Director da Real Fábrica da Seda e Intendente-geral das Reais Obras do Arsenao [Arsenal].

 

Tomo primeiro.

Lisboa, 1761

 

Na oficina de Inácio Nogueira Xisto.

Com todas as licenças necessárias

 


 

Dedicatória.

 

Senhor José Francisco da Cruz.

 

A outrem que não fosse a sua pessoa, erro seria oferecer o meu

 


 

trabalho, pois reconhecendo as prendas morais, civis, generosas e políticas com que é ornada e acrescendo-me a influência de uma forçosa simpatia, me constituiu no verdadeiro conhecimento da justificada razão com que só à sua pessoa o devo dedicar, cuja protecção evitará o dizerem os Zoilos que apure a minha curiosidade na escola de Marte e que deixe a de Minerva,

 


 

esquecidos de que só pode empunhar a espada com valor quem deseja com a pena voar, condenando-me ò revolver os livros no tempo em que não movo a espada.

As óperas como são composição e trabalho próprio, e não tradução do alheio, compostas em o nosso idioma sem o gosto de estrangeiras, poderiam ser inatendíveis a não valer-lhes o mecenas que as ampara; pois só com o respeito e nome de sua pessoa

 


 

virão a conseguir que as venerem, razão porque me atrevi animoso e arrojei desembaraçado a fazê-las pela imprensa públicas e rogar à sua pessoa se digne aceitar a sinceridade da oferta, sem se ofender de meu curioso excesso. Deus guarde a sua pessoa muitos anos de quem se confessa excessivo venerador e o mais

 

Obrigadíssimo

 

Joaquim José de Sousa Rocha e Saldanha.

 


 

Prólogo

 

Leitor amigo, se acaso o és, e quando o não sejas, de pouco importa; se o és, desculpa nas presentes óperas, que te ofereço, os desacertos da minha lembrança, o mal figurado de minha retórica e a boa ou má eleição das histórias que elegi para contexto de minha composição curiosa. Se o não és, faze outro tanto e expõe-te à censura dos Zoilos e mordacidade dos críticos, porque o tempo que te ocupares em

 


 

compôr, o tens de menos para satirizar. Se te parecerem pouco jocosas, e que ainda o que têm é fora do que vês praticar, condena o meu mau gosto; e se julgares desnecessário o conselho que te intimo, fala segundo o teu génio enquanto eu continuo em te dar ocasião para preencheres o benévolo ou mal intencionado de teu costume, ao que sei não hás de faltar, pois em tudo te desejo satisfazer como teu venerador que sou o mais atento.

 

Vale.

 


 

Ópera primeira segundo o gosto português, que se intitula Viriato na Lusitânia

 


 

Argumento

 

Destruindo Viriato a Quinto Fábio Máximo Serviliano, remeteram os senadores romanos a seu irmão Quinto Servílio Cipion por cônsul às Espanhas. Tanto que a elas chegou, pôs pronto um grande exército e com ele entrou na Lusitânia, dirigindo sua marcha para a cidade de Utica, primeira empresa que buscava para princípio da guerra.

Nas vizinhanças de Utica havia um templo, onde a gentilidade romana tinha colocado a deusa Vénus; a ela chega Quinto Servílio e seu capitães e lhes propõe seus desígnios; assentam dar sobre a dita cidade e conseguem-o, ficando prisioneira toda a guarnição e juntamente

 


 

Aulaces, capitão regente. Entrega Quinto Servílio a Emílio os prisioneiros e a Ludovina, filha de Aulaces. De Ludovina se enamora Emílio, mas com pouca ventura.

Tanto que Viriato teve notícia da entrada de Quinto Servílio na Lusitânia, pôs logo em marcha seu exército, e veio procurar aos romanos; e chegando ao dito templo, teve a notícia da tomada de Utica, a ela se encaminhou, onde presentou batalha a Quinto Servílio e o mesmo foi aceitá-la que perdê-la; retirou-se à cidade Quinto Servílio com as ruínas de seu exército, manda-lhe Viriato embaixada para que lhe entregue a Ludovina e a cidade, à qual respondeu como valoroso cônsul.

Instou Emílio nas adorações de Ludovina e vendo que esta de todo desprezava seus sacrifícios, por ter esperanças de ser esposa de Viriato, o pretende Emílio matar; busca a Distaleon, capitão do mesmo Viriato, declara-lhes seus projectos e os interesses que se lhe seguiriam se a Viriato matassem; determinaram o como e conseguem-no. Tirando-lhe a cabeça

 


 

a levam a Quinto Servílio, a tempo que este se achava com Ludovina falando, a qual, tanto que a cabeça de Viriato viu, desmaiou; acode-lhe o cônsul e recobra o alento; declaram o modo porque mataram a Viriato e manda-os Quinto Servílio prender. Entram na Cidade Aulaces e Minuro a pedir-lhes entreguem os traidores; fala-lhe Quinto Servílio e em sua presença manda ler a sentença aos delinquentes e dar à execução o castigo.

Ajustam as pazes Quinto Servílio com Aulaces, vão ao templo onde os capitães lusitanos propuseram os capítulos e condições da paz; aceita-os Quinto Servílio e jura guardá-los, e da mesma sorte juram obediência os capitães lusitanos; toma Aulaces entrega da cidade e de Ludovina sua filha e o mais se verá do contexto da obra, etc.

 


 

Mutações dos actos

 

Acto I.

Mutação I. De Templo com a Deusa Vénus.

Mutação II. De Campo e Cidade.

Mutação III. De Sala Régia.

Mutação IV. De Campo e Castelo.

 

Acto II.

Mutação I. De Campo e Cidade.

Mutação II. De Jardim.

Mutação III. De Gabinete.

 

Acto III.

Mutação I. De Cidade e Campo.

Mutação II. De Sala Régia.

Mutação III. De Praça grande, cercada de Palácio.

Mutação IV. De Templo com a Deusa Vénus, etc.

 


 

Interlocutores.

 

Viriato, Capitão regente da Lusitânia.

Minuro, Capitão no exército de Viriato.

Distaleon, Capitão no exército de Viriato.

Aulaces, Lusitano, Governador de Utica.

Ludovina, filha de Aulaces.

Folhinha, pastora, criada de Ludovina

Pronóstico, alferes, lusitano e gracioso

Quinto Servílio Cipion, cônsul romano.

Serviliano, Capitão no exército romano.

Emílio, Capitão no exército romano.

Soldados e músicos.

 


 

Ópera segunda, segundo o gosto português, que se intitula Faláris em Atenas.

 


 

Argumento

 

Faláris, rei de Atenas, ao qual chamaram tirano, tendo em sua corte a Perilo, homem de malévolo engenho, lhe mandou fabricasse um labirinto de encantos e fizesse um novo invento para dar tormentos aos delinquentes. Assim o fez Perilo e veio a ser o primeiro que padeceu dentro em um touro que fabricou, de metal, conseguindo d’el-rei primeiro as maiores mercês. Mandou el-rei publicar que os príncipes, que pretendessem o himeneu da princesa sua filha, viessem à corte de Atenas. Veio Perfilo, príncipe de Tróia, e Egrégio, príncipe

 


 

de Ponto. Dá Perillo parte a el-rei de como tinha feito o labirinto e invento; e el-rei o consulta sobre a eleiçãode príncipe para o himeneu. Dá audiência aos príncipes e ordena-lhes vá logo ao templo, onde a eleição se há-de tirar do escrutínio por sorte; vão ao Templo e manda el-rei jurem todos de estar pela sorte que sair; eximem-se os Príncipes do juramento. O que vendo el-rei de moto próprio elege a Perfilo e manda logo celebrar o himeneu; escusa-se a princesa, tomando por pretexto o repente da eleição, por estar namorada de Egrégio. Perfilo, que o estava da infanta, não insistiu. Deixa el-rei a execução para o dia seguinte e com Perilo vai ver o labirinto e touro, por cujo artifício lhe faz a mercê de Duque e de primeiro-ministro; e perguntando-lhe a causa porque a princesa repudiava o himeneu, lha declara Perilo. El-rei lhe ordena vá logo intimar a Egrégio, que no termo de três horas saia de Atenas e em oito dias de seu reino; executa Perilo a ordem, a tempo que já Egrégio, por ser repudiado, pretendia ausentar-se; e tendo despedido-se

 


 

da princesa, esta lhe tinha rogado a levasse furtivamente. Egrégio lho prometeu; porém, com a nova ordem se retirou sem cumprir a palavra. Manda el-rei se execute o himeneu, o que vendo Perfilo, se ausenta em sua armada, levando a infanta. Vale-se el-rei de Perilo neste caso e este, com suas habilidades, faz dar à costa a nau em que Perfilo e a infanta iam; manda-os el-rei lançar no labirinto. A princesa, sabendo que Egrégio se tinha ausentado, se vale de uma dama sua, mágica insigne, a qual o repõe na presença da princesa e leva a estes ao labirinto e dele tiram a Perfilo e a infanta. Os troianos, sabendo o castigo que el-rei mandou dar a seu príncipe, bombeam a cidade, botam gente em terra; acodem os atenienses e perdem a batalha; lançam os troianos o fogo à cidade. Levantam-se os atenienses contra el-rei por causa do valimento de Perilo; acode a princesa a esta desordem e declara a el-rei ser Perfilo vivo e pede perdão para a infanta, e que lhe consinta o himeneu com Egrégio; ira-se el-rei da rogativa e a princesa se

 


 

aproveita da conspiração. Sobe ao trono e manda prender a Perilo; acode el-rei a tempo que Perilo vinha ouvindo a sentença e depois de diversas contendas, manda seja Perilo metido no touro que fabricou. Executa-se a sentença, desiste a princesa do lugar que ocupava e el-rei, por satisfazer ao povo, cede o governo na princesa, mandando-a aclamar e lhe consente o himeneu com o príncipe Egrégio; perdoa a infanta e a casa com Perilo e o mais se verá do contexto da obra, etc.

 


 

Mutações dos actos

 

Acto I

Mutação I. De Sala régia com assentos.

Mutação II. De Templo com Júpiter.

Mutação III. De Labirinto.

 

Acto II.

 

Mutação I. De Jardim.

Mutação II. De Mar, navios e fortalezas.

Mutação III. De labirinto.

Mutação IV. De gabinete.

 

Acto III.

Mutação I. De cidade, praia e mar.

Mutação II. De gabinete.

Mutação III. De Sala régia.

Mutação IV. De templo com Júpiter, etc.

 


 

Interlocutores

 

Faláris, tirano, rei de Atenas

Octimia, princesa de Atenas.

Estela, infanta de Atenas.

Perfilo, príncipe de Tróia.

Egrégio, príncipe de Ponto.

Perilo, valido de Faláris.

Bróglio, general de Atenas.

Flivea, dama de Octimia.

Vírgula, criada de Estela.

Ponto, criado de Egrégio.

Soldados e músicos, etc.

 


 

Ópera terceira, segundo o gosto português, que se intitula Cassiopea na Etiópia.

 


 

Argumento

 

Cassiopea, rainha de Etiópia, mulher de Cefeu, de sorte entrou no desvanecimento de formosa, que obrigou a el-rei mandasse ao Brósfero de Trácia consultar a deidade de Dite, para se desenganar se a sua formosura excedia a das deusas, ninfas e nereidas, e se a princesa Andrómeda, sua filha, havia de casar com algum dos deuses; e como em a corte se achava Tesipónio, insigne mágico e artífice, que fez o Templo de Diana em Éfeso, a este ordenou el-rei fosse a consultar o dito Oráculo.

 

 


 

Parte Tesipónio, levando consigo a seu criado Passatempo, vence as dificuldades do bosque e consulta a Plutão; consegue a resposta e volta à Corte.

Enquanto Tesipónio foi a esta diligência, saíram as majestades ao divertimento da caça e indo a princesa descansar a uma fonte, nela viu a Perseu, filho de Júpiter, que, disfarçado em trajes de pastor, andava naquela selva; admira-se de sua perfeição e Perseu da princesa se namora; e querendo segui-la, lho embaraça a rainha, a quem Perseu ocultou seu ser, ainda que a acompanhou para Palácio.

Chega Tesipónio com a resposta do Oráculo, ficam satisfeitas as majestades; disto sabe a deusa Dóris e com suas filhas nereidas se vai ao Templo de seu esposo Nereu a pedir vingança; promete-lhe Nereu abrasar a Cassiopea e a toda a Etiópia e lhes dá faculdade para castigarem a princesa.

Continua Perseu os amores de Andrómeda, porque a via em palácio, e pedindo-lhe a princesa a fosse esperar ao passeio da praia, para ela se encaminha

 


 

e Perseu se descuida na brevidade.

Chega a princesa à praia e vendo tardava Perseu, se encosta a um penhasco a esperá-lo; dele saem duas nereidas e com grossas cadeias atam Andrómeda ao penhasco e se retiram, deixando-a desmaiada.

Aparece sobre o mar a deusa Dóris e dele manda sair um monstro marinho; sai este e ao querer devorar a princesa, chega Perseu, mata o monstro e desata a Andrómeda; do que indignado Nereu, manda o castigo de trovões, ventos e raios; pega o fogo em Palácio e arde todo, salvando-se Cassiopea com muito custo.

Acodem todos ao Templo de Júpiter, nele declara a princesa ser Perseu filho de Júpiter e seu amante. Rogam-lhe todos peça a seu pai Júpiter suspenda a fúria dos deuses. Falou Perseu e Júpiter lhe responde, fazendo sossegar os estragos e manda que Perseu case com a princesa; e para isentar a Cassiopea das iras de Dóris, lhe promete subi-la à região do ar e transformá-la em Constelação.

 


 

Destes favores rendem todos as graças a Júpiter e Cefeu faz logo o casamento da princesa com Perseu. Despede-se Cassiopea e sobe à região do ar, fica transformada em constelação e o mais se verá do contexto da obra, etc.

 


 

Mutações dos actos

 

Acto I.

 

Mutação I. De Sala régia.

Mutação II. De bosque silvestre e fúnebre.

Mutação III. De campo, selva e fonte correndo

 

Acto II.

Mutação I. De bosque e na última cena desta mutação aparece no fundo um templo fúnebere com Plutão.

Mutação II. De jardim.

Mutação III. De gabinete.

 

Acto III

Mutação I. De templo, rodeado de mar, e nele em trono alto Nereu e de uma parte em trono menos alto Dóris e de outra duas nereidas.

Mutação II. De mar, navios, praia e palácio; na praia grandes penhascos.

Mutação III. De templo com Júpiter, etc.

 


 

Interlocutores

 

Cefeu, rei de Etiópia.

Cassiopea, rainha de Etiópia.

Andrómeda, princesa da Etiópia.

Perseu, filho de Júpiter e da princesa Danae.

Tesipónio, mágico e grande artífice.

Passatempo, gracioso, criado de Tesipónio.

Esquipação, lacaia, criada da princesa.

 

Deuses.

 

Júpiter, pai de Perseu.

Nereu, marido de Dóris.

Dóris, mulher de Nereu.

Duas nereidas, filhas de Nereu e de Dóris.

Plutão.

Soldados, criados e músicos, etc.

 


 

Ópera quarta segundo o gosto português que se intitula Atlante na Mauritânia

 


 

Argumento

 

Atlante, rei da Mauritânia, teve duas filhas, Hécate, princesa, e Lídia, infanta. Consultando Atlante o Oráculo, este lhe vaticinou que um oculto sucessor de sua prole lhe havia suceder ao trono, por cuja causa mandava matar a todos seus parentes de idade pueril; e querendo casar a princesa, mandou vir a Ilísio, seu parente, príncipe da Transilvânia, para nele verificar o vaticínio do Oráculo. Desta determinação dá parte à princesa, a qual ocultamente tinha casado com seu primo, o duque Ugnon, de cujo himeneu tinha nascido Japeto, o segundo deste nome, rei da Mauritânia, o qual deram a criar com todo o segredo a Sófocles, que por

 


 

ser perseguido na Grécia se tinha ausentado para a Mauritânia. Ao mesmo tempo chega Ilísio, dele se namora a infanta, mas Ilísio despreza seus afectos. Vão ao templo de Marte render as graças da chegada de Ilísio, a cujo tempo chega a notícia de Japeto ter vencido aos inimigos, o qual, depois de educado por Sófocles, sentou praça de soldado, ignorando seu nascimento e de sorte exercitou o régio valor que foi feito general de idade de treze anos. Rendem a Marte as graças e manda el-rei se execute o himeneu; desculpa-se Hécate, porfia Atlante e fica Ugnon confuso; acode Sófocles e suspende-se a execução. Persiste a infanta em tributar sacrifícios e adorações a Ilísio, o qual vendo-se desprezado da princesa, chama a Atrevimento, seu criado, e este lhe diz a causa porque Hécate o despreza; pede-lhe Ilísio queira com suas mágicas dar a morte a Ugnon e a Japeto; pretende executá-lo Atrevimento e Sófoccles lho embaraça, e faz vir Japeto à corte, donde lhe declara seu ser e lhe determina o como se há de remediar o presente dano

 


 

e o restitui ao campo. Vedo Ilísio que nada conseguia, como breve desejava, pede licença a el-rei para retirar-se; e não lha dando, lhe declara ser a princesa com Ugnon casada e ser Japeto seu filho. Manda logo Atlante prender a Hécate e a Ugnon e os sentencia à morte. Sófocles transporta a Japeto e seu exército à corte; chega a tempo que seus pais iam para o patíbulo; liberta-os e acudindo Atlante e Ilísio os faz Japeto prisioneiro. Manda-lhe Hécate dê liberdade a seu avô; Japeto o faz e Atlante reconhecendo cumprida a profecia do Oráculo, perdoa a Hécate e a Ugnon; reconhece a Japeto por seu neto e indo ao templo o faz reconhecer rei e sucessor da Mauritânia. Casa a infanta com Ilísio e o mais se verá do contexto da obra, etc.

 


 

Mutações dos actos.

 

Acto I.

Mutação I. De Sala régia com assentos.

Mutação II. De templo com o deus Marte.

Mutação III. De labirinto de murtas e passeios.

Mutação IV. De gabinete.

 

Acto II.

Mutação I. De sala régia.

Mutação II. De jardim com estátuas e chafariz.

Mutação III. De gabinete.

Mutação IV. De mar e navios, destes vindo para a praia em escaleres soldados e desembarcando.

 

Acto III.

Mutação I. De Cárcere junto a uma sala.

Mutação II. De mar com navios.

Mutação III. De praça, cercada de cidade; nesta povo e soldados.

Mutação IV. De templo com Marte e Cupido, etc.

 


 

Interlocutores.

 

Atlante, rei da Mauritânia.

Ilísio, príncipe da Transilvânia.

Hécate, princesa da Mauritânia.

Lídia, infanta da Mauritânia.

Ugnon, duque na Mauritânia.

Finísio, coronel na Mauritânia.

Japeto, príncipe, filho de Hécate e de Ugnon.

Audácia, criada de Lídia.

Atrevimento, criado de Ilísio.

Povo, soldados e músicos, etc.

 


 

Ópera quinta segundo o gosto português que se intitula Sacríficio de Efigénia.

 


 

Argumento

 

Determinados os gregos em destruir a Tróia se aliaram e por evitar entre os príncipes daquele dilatado império alguma desunião, votaram em Agaménon, rei de Mecenas, para Generalíssimo de todo o aliado exército, prometendo todos a militar obediência.

Resultou do primeiro conselho militar que o exército se ajuntasse em Áulide, porto marítimo no centro da Grécia, onde melhor se podiam juntar as Armadas

 


 

Para Áulide partiu Agaménon, levando em sua companhia a Ulisses, deixando primeiro ordem a Aquiles, a quem tinha prometido, se conquistasse a Lesbos, dar-lhe para esposa a Efigénia, sua única filha, princesa de Mecenas, a conduzisse, e a Clistemnestra, sua esposa, para Áulide, donde ia esperar os demais príncipes.

Chega Agaménon com sua armada, na companhia de Ulisses, a Áulide, desembarca, e depois de oferecer sacrifícios a Diana, se ocupa, enquanto esperava, no exercicío da caça; nele matou uma cerva, ignorando ser de Diana. Escandalizada aquela deusa do proceder de Agaménon e castigasse não só Agaménon, mas a todos os príncipes gregos, o que Neptuno fez.

Consulta Agaménon o intérprete de Diana para saber o como poderia oferecer-lhes sacrifícios que lhe fossem gratos; declara-lhe o intérprete que só o seria sacrificar a princesa Efigénia, em cujo peito estava depositado o sangue de Helena.

 


 

De tão infausta notícia dá Agaménon parte a Ulisses, e lhe ordena se finja amante de Efigénia para com esta indústria embaraçar a promessa de Aquiles. Chega este a Áulide, trazendo em sua companhia a Clitemnestra, rainha de Mecenas e a sua filha Efigénia, e juntamente a Penélope, princesa de Lesbos, a quem trazia prisioneira; ao mesmo tempo chegou Idomeneu, rei de Creta.

Recebe Agaménon a todos com demonstrações de alegria. Pretende Aquiles o himeneu de Efigénia, Agaménon o não consente; Ulisses se finge amante de Efigénia e declara seus fingidos amores, não só à mesma princesa, que o desengana, mas à rainha, que o despersuade. Dos amores de Ulisses tem zelos Aquiles e deste os tem Penélope.

Determina el-rei que a rainha e todos os príncipes jurem de estar, pela determinação do sacrifício; assim o fazem. Declara el-rei o sacrifício em a princesa Efigénia, opõem-se Aquiles e os soldados deste a levam e à rainha para a sua barraca.

 


 

A esta vão os príncipes pedir a Aquiles desista de seu temerário intento e ele persiste firme; chega el-rei e o faz prender e leva a princesa e rainha. Vendo Penélope a Efigénia nos termos de ser sacrificada, e a Aquiles preso, separa as tropas de Lesbos e Tesália, e com a maior cautela vai à prisão e dela liberta a Aquiles. Ambos, na frente das tropas, vão ao templo onde se estava para executar o sacrifício, dele isentam a Efigénia; quer opor-se Agaménon, mas Ulisses o sossega; no templo entra uma serva de Diana; esta traz um escrito, tira-lho Agaménon e depois de o ler, concede a Aquiles o himeneu com Efigénia e a Ulisses o de Penélope; e o mais se verá do contexto da obra, etc.

 


 

Mutações dos actos.

 

Acto I.

Mutação I. De mar, nele uma grande armada e em escaleres desembarcando os soldados na praia.

Mutação II. De abarracamento militar.

Mutação III. De gabinete.

Mutação IV. De jardim.

 

Acto II.

Mutação I. De Sala régia com assentos, dous com docel e os mais rasos.

Mutação II. De abarracamento militar.

 

Acto III.

Mutação I. De prisão militar

Mutação II. De barraca com sentinelas.

Mutação III. De templo com Diana.

 


 

Interlocutores

 

Agaménon, rei de Mecenas.

Ulisses, princípe de Ítaca.

Idomeneu, princípe de Creta.

Aquiles, princípe de Tesália.

Euribates, general de Mecenas.

Elemento, criado de Aquiles.

Clitemnestra, rainha de Mecenas.

Efigénia, princesa de Mecenas.

Penélope, princesa de Lesbos.

Cometa, criada de Penélope.

Soldados, etc.

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