Sumário
Carta de Diogo Gil Teixeira Cabral para António de Freitas Branco relatando a festa com um boneco, que era arremedo de Pedro Machado (1708)
Ano
1708
Biblioteca/Arquivo
Biblioteca da Ajuda
Cota
54 - IX-45-1

Senhor António de Freitas Branco

Meu senhor,
Por me constar a grande amizade que vossa mercê tem com meu amigo Pedro Machado e porque lhe toca a ele muita parte desde negócio, uso da confiança de o comunicar a vossa mercê pedindo-lhe queira interpor o seu respeito para que se não obre compaixão. Foi o caso que o dia que aqui chegou a nova da infelecidade de ficar prisioneiro Pedro Machado, se fez um grande festejo em casa de um Domingos Álvares, sargento-mor da ordenança, que ele e sua mulher, por chama dos tios de Manuel Leitão, são inimíssimos todos do brigadeiro a quem vossa mercê terá ouvido falar largamente nesta gente; parte do seu festejo foi porem um boneco fingindo-se atropelado de inimigos e ultrajado deles de vulgoreza era arremedo de Pedro Machado; eu me achava fora desta vila, um criado que o ouviu foi a examiná-lo e, vendo o boneco em uma varanda que cai para a rua, subiu a quebrá-lo. Lançaram-se a ele as pessoas da família dizem-me o quebrara na cabeça da dona da casa; esta é a verdade do caso e confesso a vossa mercê que se me confessara não falaria mais verdade dizem-me que estes homens foram queixar-se a essa corte e a pedir menistro procurador para que viesse a conhecer do caso quando se lhe permita, muita mercê me fará vossa mercê em querer advertir-lhe obre com desembaraço na averiguação da verdade e com atenção às pessoas segundo a grande diferença que há entre umas e outra: por que


por esta parte foram tão poderosos os enredos e mentiras destes homens que o Auditor-geral lhe não quis passar carta de seguro que mande procurar lhe dessa corte, e se desta parte houver cousa em que possa servir a vossa mercê o farei com a melhor vontade. 
Guarde Deus a vossa mercê muitos anos. Monsaraz, 22 Agosto de 1708

 

 Muito servidorde Vossa mercê


Diogo Gil Teixeira Cabral 

Image 1927
Image 1928

Meu S.or por me constar a gr.de amizade q’ vm.ce tem

com meu am.º P. Machado e porq lhe toca a elle

m.ta p.te desde neg.cio uso da confiança de o comonicar

a vm.ce pedindo-lhe queira intrepor o seu respeito p.ª

q’ se não obre compaxão. Foi o cazo q o dia

q aqui chegou a nova da infelecid.e de ficar prezi

on.ro P. Machado se fés hú gr.de festejo em caza

de hú D.os Alvres sarg.to mor da ordenança

q elle e sua m.er por chamados tios de M.l Leitão

são inimissimos  todos do Brigad.ro a q.m vm.ce

tera ouvido falar largam.te nesta gente; p.te

do seu festejo foi porem hum boneco fingindosse

atropelado de inimigos e ultrajado delles de

vulgoreça era aremedo de P. Machado; Eu me

Achava fora desta V.ª hum criado q.m o ouviu

foi a examinalo, e vendo o boneco em húa

varanda q cae p.ª a rua subio a quebralo Lan

carãoçe a elle as pessoas da família dizem me

o quebrara na cabeça da dona da caza; esta

hé a verd.e do cazo, e confeço a vm.ce q se me com

feçara não falaria mais verd.e dizem me q

estes homes forão queixarçe a essa corte e a pe

dir menistro p.or p.ª q’ vieçe a conheçer do cazo

S.r Ant.º de Freitas Branco q.do se lhe permita m.ta m.ce me fara VM.ce enque

rer   advertirlhe obre com dezembaraço na ave

riguação da ver.de e com atenção as pessoas seg.do

a gr.de diferença q’ há entre huas e outra: por q’  


Por esta p.te forão tão poderozos os enredos e men

tiras destes homens q’ o Auditor g.l lhe não quis pas

sar carta de seguro q’ mande procurar lhe dessa

corte, e se desta p.te ouver couza em q’ possa ser

vir a VM.ce o farei com a melhor vontade. gr.de

D. a VM.ce m.s an.s. Monsaraz 22 Agosto

de 1708

 

Sn. S.or de V.M.ce

 

 

            Diogo Gil Teix.ra Cabral